Dólar fecha em alta e toca maior nível desde 30 de abril; real tem pior desempenho

Moeda sobe 1,29% na semana e encerra a R$ 5,17 com percepção de risco no Brasil

Na contramão da tendência de queda do dólar no exterior, o dólar à vista ganhou força nas últimas horas de negociação desta sexta-feira (24), fechando em alta no maior nível de fechamento do mês. O real desvalorizou devido a uma combinação de busca por proteção em ambiente de liquidez reduzida, em razão do feriado de Memorial Day nos Estados Unidos na segunda-feira, e aumento da percepção de risco doméstico.

A moeda brasileira já apresentava desempenho inferior ao de seus pares desde o início das negociações, mas sofreu mais à tarde após declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sobre a recente deterioração das expectativas de inflação. Analistas indicam um crescente desconforto dos investidores com a percepção de menor compromisso do governo com o cumprimento das metas fiscais e temores de um BC mais leniente com a inflação a partir de 2025, quando Campos Neto será substituído por um indicado pelo presidente Lula.

Campos Neto, em evento na Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, afirmou que "vê a expectativa de inflação subindo bastante" devido a vários fatores, incluindo questões de credibilidade do Banco Central. Essa declaração contrastou com a de ministros como Fernando Haddad, que havia criticado a meta de inflação como "exigentíssima e inimaginável", levantando suspeitas sobre possíveis alterações na meta de inflação futura.

O dólar à vista atingiu a máxima de R$ 5,1765 e fechou com avanço de 0,27%, cotado a R$ 5,1679 – maior valor de fechamento desde 30 de abril. Na semana, acumulou valorização de 1,29%, reduzindo as perdas no mês a 0,47%. Observadores do mercado notaram que o dólar à vista operou em nível similar e até inferior ao do contrato de dólar futuro para junho, sugerindo escassez de moeda no segmento spot.

As declarações de Campos Neto, especialmente sobre a tragédia no Rio Grande do Sul potencialmente elevando as previsões de inflação de alimentos, aumentaram a preocupação do mercado. Leonardo Costa, economista da ASA Investimentos, prevê aceleração da inflação de alimentos em 2024 devido à piora do clima doméstico.

Os operadores continuam atentos à divulgação do relatório Focus, esperando um novo movimento de desancoragem das expectativas de inflação. A percepção local é de piora, com o enfraquecimento de Fernando Haddad e o ganho de voz de Rui Costa no governo gerando um sentimento negativo para o Brasil.

Ao encerrar a semana, o dólar comercial teve apreciação de 0,27%, cotado a R$ 5,1674, após tocar a mínima de R$ 5,1305 e a máxima de R$ 5,1764. O euro comercial também subiu, fechando a R$ 5,6060, com alta de 0,64% no dia e 1,06% na semana.

A percepção de risco local e as incertezas econômicas continuam a impactar o mercado de câmbio brasileiro, descolando-o das tendências globais. As preocupações com a política fiscal e a credibilidade do Banco Central são fatores chave que mantêm os investidores cautelosos e influenciam a desvalorização do real frente ao dólar.

Fonte: Valor Investe


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